sábado, 4 de outubro de 2008

A Nudez e a Alma – Amando Sem Crise


Faça do seu corpo sua alma, pois assim conhecerá a aurora dos tempos, e sob o olhar da pessoa amada você estará ressurgindo em novidade que a encantará.

No princípio dos tempos – entenda bem, meu irmão ou minha irmã -, os olhos não se sujeitavam àquilo que viam, estando o homem e a mulher confinados ao instinto de procriação. A Natureza apenas ensinava a lei da sobrevivência, somente restando a intuição humana como modo seguro de algo vir a ser revelado.

Até que o fenômeno natural de um reflexo na superfície das águas límpidas de um rio fez a beleza aparecer pela primeira vez ao casal de humanos que ali saciava sua sede.

Neste ponto, quem lê estas palavras pode estar agora tendo os primeiros lampejos de uma verdade universal perpassando vagamente o seu entendimento.

- “É verdade? Teria sido escondida na profundeza do rio... a tal maçã ?”

Você sempre tem estado em busca daquele misterioso elo representado por um fruto proibido, não é?


Mas, em verdade lhes asseguro, tudo está relacionado com os olhos que contemplaram aquele reflexo e com as ondulações provocadas pelo vento sobre a superfície da água naquele rio.

Mizfen, a primeira mulher a ser refletida naquele espelho natural improvisado, pareceu graciosamente mais bela aos olhos de Doxtus - o seu par, o seu homem. Havia uma sinuosidade que antes não houvera sido notada por ele. E isso foi como se escamas caíssem dos olhos de ambos.

Doxtus acordou do torpor em que havia estado durante quase uma década. O olfato, o paladar, o tato – enfim, os sentidos -, cada um foi renovado em suas impressões sobre o corpo daquela mulher.

Mizfen, a primeira mulher realmente desejada, conheceu o prazer durante muitos sóis e luas, até que Doxtus chegou à exaustão. Felizmente, a Natureza permitiu que por alguns momentos ela aprendesse, com seu próximo ciclo de mênstruos, que algo diferente acontecera entre os dois. Foi o primeiro registro da chamada “pausa necessária”.

O fato é que Doxtus agora havia passado a ser também um ponto de referência para Mizfen no meio natural em que viviam. Ela, a fêmea, já não tinha mais aqueles pesadelos noturnos nos quais outros espécimes machos do reino animal pareciam assumir o lugar do ser par, em violenta possessão sexual.

A aurora dos tempos dos tempos tântricos havia chegado.

Até que veio a quebra de um novo paradigma: as roupas.

Proteger-se das intempéries da Natureza... que nada...!

Mizfen, certa noite, teve em sonhos uma iluminação nova. Enquanto um novo ciclo de mênstruos chegava, para perplexidade de Doxtus, ela pôs em prática o resultado de tudo com que sonhara naquele transe noturno.

As vestes confeccionadas a partir de peles de animais foram trabalhadas de forma sensual, tendo como resultado o início de um jogo de sedução que resultou em uma aventura arrebatadora para o homem Doxtus.

Sabiamente, aquela mulher construiu um emaranhado de laços com as tiras de couro em volta e abaixo da cintura. E, com certos artifícios próprios a uma mulher que se havia descoberto como sendo um objeto de enlevos nunca antes a ela dedicados pelo seu par, teceu regras que conferiam graça e emoção ao jogo de sedução. O emprego de muita criatividade para romper os obstáculos propositalmente criados por Mizfen, a qual acabara de se tornar a primeira peregrina tântrica, fez com que o sexo finalmente tivesse sabor tanto quanto outros prazeres que envolvessem os cinco sentidos e a imaginação.

Doxtus ficou encantado ao perceber que os seus estímulos aplicados ao corpo de sua companheira, uma vez reunidos aos recursos de encantamentos idealizados por ela própria, fizeram com que as formas femininas ressurgissem cada vez mais encantadoras.

Neste ponto, meu irmão ou minha irmã, lendo estas palavras, você provavelmente já descobriu o quanto sua intuição estava certa.

De fato, dessa forma, o Homem – aqui representado por Doxtus - aprendeu o renovo dos ciclos da sedução. Em um futuro não muito distante haveria problemas. Justamente em razão de Doxtus descobrir que outras fêmeas copiavam a sua querida Mizfen, e que elas passaram a seduzi-lo em desafios semelhantes que provocaram enciumadas e sangrentas batalhas entre mulheres e mulheres, muitas das quais preferiram migrar para novos relacionamentos ao perceberem que Mizfen era mais forte e sagaz na descoberta de novos meios para seduzir o seu par.

Incrivelmente, meu irmão ou minha irmã, tudo isso acabou gerando a primeira Guerra dos Sexos no meio dos seres humanos.




Após o estabelecimento dos novos paradigmas, representados pelo trinômio “roupa-sedução-nudez” aplicado ao comportamento sexual, muitas tribos de humanos foram alcançadas por um novo enfoque em diversos continentes. Tanto que no Século MMMV a.C um Conselho de Sábios se reuniu diante do altar de Penka, deusa do gigantismo sexual.

Reza a lenda que Modimis, respeitado sacerdote, era considerado uma espécie de cientista naquele modo rudimentar de entender os mistérios do corpo humano. Teria sido ele o primeiro a relacionar os ciclos lunares à aparição dos mênstruos nas fêmeas.

Pois foi justamente esse sábio sacerdote que pôs em prática uma votação – imaginem isso... um sufrágio!!! - para determinar se Doxtus ou se Mizfen haveria sido o veículo humano pelo qual a deusa Penka havia trazido aquele frenesi (que hoje sabemos ser o prazer tântrico) para dentro do relacionamento entre casais.

Infelizmente, alguns pergaminhos perderam-se e não sabemos até agora como resultou aquela estranha escolha em torno dos “pais do tantrismo”, exceto por alguns sinais de escrita rústica em papiro que dão conta de que houve competições que visavam ao desempate das argumentações, que nos permitem “pintar” quadros imaginários de testes de resistência tântrica, primitivamente cronometrados, em que os casais doxtusianos e mizfenianos procuravam provar quem estaria certo na questão “te tomo/me toma”.

Meu irmão ou minha irmã, repetir nunca é demais.

- Faça do seu corpo sua alma, pois assim conhecerá a aurora dos tempos, e sob o olhar da pessoa amada você estará ressurgindo em novidade que a encantará.

E lembre-se de que as regras básicas para entender o sexo oposto, com seguras orientações para compensar as eventuais desproporcionalidades físicas no momento do “te tomo/me toma”, estão A-B-Ene-Temente fixadas em nosso guia de tantrismo intitulado “Dantismo Tântrico 1080 – O Prazer Ajuizado”.

Agora, vá e desajuíze com moderação.

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